Análises, autoconhecimento, Desconstrução Conceitual, Psicologia Profunda

Anima e animus – os parceiros invisíveis III


O masculino e o feminino em cada um de nós

Um excerto do livro “Os parceiros invisíveis“, de John A. Sanford.

Leia a I Parte aqui | Leia a II Parte aqui

4.0.1(…) Também existe, entretanto, outro fator que torna o conhecimento da anima ou do animus assim tão difícil. Esses fatores psíquicos existentes dentro de nós são geralmente projetados. A projeção é um mecanismo psíquico que ocorre sempre que um aspecto vital de nossa personalidade que desconhecemos é ativado. Quando algo é projetado, vemo-lo fora de nós, como se fizesse parte de outra pessoa e nada tivesse a ver conosco. A projeção é um mecanismo inconsciente. Não somos nós que decidimos projetar algo, isso acontece automaticamente. Se nós é que decidíssimos projetar alguma coisa, teríamos consciência disso e então, justamente por termos consciência, ela não poderia ser projetada. só são projetados conteúdos inconsciente; no momento em que uma coisa se torna consciente, cessa a projeção.

Quando anima e animus são projetados em outras pessoas, a percepção que temos delas fica profundamente alterada.Na maioria dos casos, o homem projetou a anima na mulher, e a mulher projetou o animus no homem. A mulher carregou para o homem a imagem viva da alma ou da faceta feminina dele próprio, e o homem carregou para a mulher a imagem viva do próprio espírito dela. Isso tem levado a consequências inúmeras, incomuns e muitas vezes desastrosas, já que tais realidades vivas dentro de nós mesmos frequentes vezes têm um efeito particularmente forte e irritante. Por isso, dizia Jung, ao explicar parcialmente os motivos pelos quais a anima e o animus geralmente não têm sido reconhecidos como partes integrantes da personalidade humana: “Na Idade Média, quando um homem descobria uma anima, ele conservava isso em segredo, para que o juiz não a mandasse queimar como uma feiticeira. Ou, se uma mulher descobrisse um animus, este homem fosse destinado a ser um santo, ou um salvador, um grande médico ou curandeiro… Somente agora, através do processo analítico, é que a anima e o animus, que antes ficavam sempre fora da jogada, estão começando a aparecer, transformados em funções psicológicas”.

Porque a anima e o animus são projetados, geralmente nós não reconhecemos que eles fazem parte de nós, pois eles parecem estar fora de nós. De outro lado, desde que o fenômeno de projeção seja reconhecido, essas imagem projetadas podem, até certo ponto, ser recolocadas dentro de nós, pois podemos usar projeções como espelhos em que vemos o reflexo de nosso próprios conteúdos psíquicos. Quando descobrimos que a imagem da anima ou do animus se projetou num homem ou numa mulher, torna-se possível para nós ver, como que em reflexo, conteúdos de nossa própria psique que, do contrário, poderiam passar desapercebidos para nós. A capacidade de reconhecer e utilizar projeções é particularmente importante para o autoconhecimento, quando esse chega à anima ou ao animus, embora tais fatores psíquicos nunca possam tornar-se a tal ponto conscientes que deixem de se projetar. O elemento contra-sexual dentro de nós é psicologicamente tão esquivo que escapa à nossa percepção completa; por isso ele é sempre projetado, pelo menos em parte.Não há possibilidade de chegarmos a um conhecimento tão completo de tais realidades, de modo que a projeção não mais aconteça. Essa é uma meta impossível, pois a anima e o animus não compartilham a realidade do ego, mas nos transmitem um modo totalmente diferente de funcionamento psicológico. No que se refere ao autoconhecimento, trata-se de utilizar as projeções como espelhos, uma tarefa que é possível mediante o uso dos conceitos psicológicos de Jung.

(…) Como todos os arquétipos, a anima e o animus têm aspectos positivos e negativos, isto é, às vezes parecem ser altamente desejáveis e atraentes, e, às vezes, destruidores e enfurecedores. Nisso eles se assemelham aos deuses e deusas que podiam beneficiar a humanidade com dádivas, mas que também podiam voltar-se contra a humanidade de maneira devastadora. Se os aspecto positivo da imagem da anima for projetada por um homem sobre uma mulher, esta se tornará sumamente desejável para ele. Ela o fascina, consegue atraí-lo para ela, e parece ser para ele a fonte de felicidade e de prazer. Uma mulher que carrega essa projeção para um homem prontamente se torna objeto de fantasias eróticas e desejos sexuais por parte dele, e ao homem parece que lhe bastaria estar com ela e dar-lhe amor para sentir-se plenamente realizado. Esse é o estado que designamos com o termo apaixonar-se ou enamorar-se.

Continua…  IV Parte

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